• 08fev

    Eu não sou uma pessoa explosiva. Muito pelo contrário. Penso. Repenso. Analiso. Isso, claro, tem seus contras. Certamente, perco oportunidades por ser assim: cautelosa. Mas eu gosto prefiro dar um passo de cada vez. Morrer de velho, como diz o ditado. Procuro ser prática. Centrada. Equilibrada. Não é tão difícil quanto parece. Só é trabalhoso - porque viver dá mesmo um certo trabalho.

  • 15mar

    Minha mãe perguntou o que eu faria com um caderno. Ao responder, pura e simplesmente que era “para escrever”, ainda fui tachada de grossa. O que se faz com um caderno, afinal? Mas eu compreendo a minha mãe. Numa época em que tudo a gente faz por computador e que redigir, de próprio punho, é quase extinto, o que fazer com aquelas folhas em branco? Pois bem, comprei o caderno.  Agora é lá, e não aqui, que escrevo que tudo que vem em mente. Risco, rabisco, rasgo folha. Sinto-me criança outra vez.  Uma criancinha bem da feliz!

    *****

    Sexta-feira 13. Inacreditalvelmente, no fim do expediente, um dilúvio. Muita chuva, raios e trovões. Eu, que trabalho do outro lado da baía e precisava atravessá-la para chegar em casa, vivi uma completa aventura. Além de ir correndo com uma amiga até a estação da barca e chegar lá em pânico, completamente molhada, ainda peguei uma barca que se “perdeu”. Sabe lá o que é ficar rodando em círculos dentro de uma barca, com uma mulher desesperada gritando, os passageiros andando de um lado  aoutro e raios caindo na água? Parecia filme de terror. Chegamos na cidade maravilhosa, Niterói, e aí começou nova aventura: não tinha ônibus. Não foi de todo ruim, mesmo que tenha sido péssimo ficar quase duas horas em pé esperando por uma condução. Encontrei duas amigas, uma comprou vários biscoitos e tornamos aquela fila menos indigesta. Às vezes, só às vezes, eu consigo manter o bom humor.

    *****

    Para variar, estou lendo Hanna Arendt. Mas tem coisas que me impressionam mais do que filosofia e história: o ser humano. O que leva um homem a jogar a própria mulher de um carro em movimento, sequestar um avião e jogá-lo num shopping, com a própria filha dentro? Isso não é gente. Nem bicho. É uma coisa que nem sei explicar, mas que ainda vou estudar. Cada dia aumenta mais minha vontade de fazer outra faculdade: Psicologia. Mas isso vai ter que esperar, porque tem muito estudo na frente.

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    Deixa eu voltar para o caderno.

     

  • 16fev

    Todos os dias eu leio jornais. É um hábito que adquiri há anos, com meus pais, e foi reforçado quando trabalhei na área de comunição. Eram vários por dia. Todo dia. No entanto, estou cada vez mais convencida de que isso faz mal à saúde. É muita tragédia. Corrupção, morte, guerra. Sem contar a parte política e econõmica - é deplorável.

    Se eu não fosse mãe, se não tivesse tantos amigos bacanas, não tivesse uma família como a que muitos deveriam ter, mas não têm, sei não. Estaria deprimida. Estaria infeliz. Estaria com medo. Ler jornal amedronta. Apavora. Intimida. Por que há o que fazer diante de tanta aberração? Tem gente que não é gente. Gente que mata e põe num freezer, gente que abusa de uma criança de 5 anos, gente que embolsa o dinheiro público, gente que mata ao invés de proteger. 

    Eu gostaria de ler coisas boas. Os empresários e jornalistas vão dizer que isso não vende. Gente é uma coisa tão asquerosa que gosta mesmo é de ler tragédia, fracasso, roubo, sequestro.

    O pior de tudo, é que desconfio que não ia ter tanta coisa boa para publicar…gente que acorda cedo para fazer exercícios físicos, que beija o filho de manhã, que se arruma para ir ao trabalho, ajuda na lição de casa, gosta de cachorros, paga contas em dia, de fato, não tem graça nenhuma.

    E como precisamos de gente sem graça! Cada dia mais.

  • 01nov

    Encontro com as amigas queridas é assim.
    Divertido. Descontraído. Engraçado. 
    Como esses rabiscos.
  • 28set

    Lembro que na infância meu pai comprava sacos de 1kg de serenata de amor e sonho de valsa, que eu e minha irmã comíamos inteirinho assistindo televisão. A gente cresceu, mas nossa paixão por chocolate continua enorme. Para falar a verdade, eu só percebo o quanto é grande esse meu fascínio pela iguaria quando meus amigos chegam de viagem. Não há um que não traga, de presente, uma caixa de bombons. Bélgica. França. Itália, Argentina. Não importa para onde vão, trazem de lá um bombonzinho, que saboreio com a mesma alegria e entusiasmo que fazia na infância. E eles trazem chocolate, porque sabem que nada me deixaria mais feliz. Lembraram de mim. Pensaram em mim. E compraram bombons. Hoje mesmo, uma amiga trouxe bombons. De capuaçu, castanha e tantas outras coisas exóticas. Ela mora em Manaus. A paixão por chocolate segue assim. Interestadual. Nacional. Internacional. Como a certeza de que a vida pode ser tão doce - e exótica - quanto um bombom. Basta ter coragem de abrir. E saborear.