• 28set

    Gostaria de saber explicar, mas eu não sei exatamente o que sinto. Medo? Ansiedade? Raiva? Meu coração está pequenininho e eu não sei como fazê-lo voltar ao normal. Tentei conversar com ele. Pedi para que não se preocupasse demais. Falei que ele é dramático. Mas é assim o jeito que ele tem de sentir: mergulhar. mergulha até o fundo do poço, sofre, chora, não come, não dorme. Sua tristeza é infinita enquanto dure e não há nada que o faça mudar, até que passe. Não sabe ser mais ou menos. Embora tente insistentemente. Agora, submerso em sua dor que, embora saiba de onde vem, não sabe se está afogado em suposições vazias, está sofrendo. E não para de pensar. Não só no que aconteceu, mas sobretudo, em como vai ser daqui para a frente.

  • 23set

    Eu procuro não me importar com coisas pequenas, mas, como não sou perfeita, são justamente as pequenas coisas que mais me interessam. Escrever, por exemplo, TODO MUNDO consegue. Se quiser. Se pensar. Se insistir. Se tiver paciência. E, muitas vezes, se tiver o que dizer. Ou um porquê que justifique dizer. TODO MUNDO consegue. Escrever é fácil. E é isso que me dá mais ÓDIO. Se é fácil, se todo mundo consegue, se todo mundo é capaz… POR QUE algumas pessoas se apropriam das (pobres) palavras que escrevo e as utilizam como se fossem delas? Baixa estima? Preguiça? No mínimo, desrespeito, porque, convenhamos, copiar as palavras dos outros e, usar como se fossem suas, não é direito.

    (Sim, estou revoltada)

    (E envergonhada. Pela pessoa que sente-se incapaz de criar frases próprias)

  • 25mai

    Não vejo televisão faz tempo, e nem sei explicar exatamente o porquê, mas ao ler que o Silvio Santos (logo ele?!) fez uma criança de 7 anos chorar no palco eu fiquei chocada. Ao do tempo as emissoras têm feito de tudo em nome da audiência: espetáculo de bundas em grupos de axé, silicone livro-dos-recordes, sushi servido em corpo de mulheres, sabonete na banheira, Et’s, Latininhos e tudo mais que a imaginação permite. É tudo tão baixo, tão vergonhoso, tão constransgedor, que fico feliz de não ligar mais a tv. Ao menos eu não tenho contribuído mais com esse circo dos horrorores no qual a televisão aberta se transformou.

  • 29abr

    Reconheço que não sou bom referencial quando se trata de filme. Amo filme nacional, água com açucar e animação - mais do que qualquer criança. Dramalhão, desses que  a gente sai desidratada de tanto chorar, também. De comédia pastelão, filme de terror e suspense eu corro. Mais do que maratonista queniano em corrida de São Silvestre. Gosto não se discute não é mesmo?

    Isso tudo é para dizer que Ele não está tão afim de você é uma merda.  Fui cheia de expectativa, achando que seria uma ótima diversão para um domingo à tarde e tudo que vejo é um filme  ”tendencioso, machista e previsível” como bem disse minha amiga e companhia durante a sessão de cinema. Poucas piadas conseguem extrair uma gargalhada. Sem sacanagem, de mulher burra eu entendo, mas as moças do filme se superam!

    Antes tivesse assistido Divão. Ou ainda, Montros vs Alienígenas, em 3D (olha que beleza!). 

    Deixa para o próximo domingo.

  • 19mar

    Lemos todos os dias que o Rio de Janeiro continua lindo, mas está cada dia mais violento. É assalto, é sequestro relâmpago, é estrupo, é tiroteiro. Aliás, percebemos que a crueldade dos crimes aumentam dia após dia, é uma realidade. Bata pegarmos estatísticas, assisirtimos tv ou mesmo conversarmos com as pessoas - todo mundo tem uma história trágica para contar. E eu, infelizmente, também sou hoje uma dessas pessoas. 

    No momento em que escrevo essas palavras uma prima encontra-se no hospital. Mais uma vítima da violência. Ao voltar da faculdade, o ônibus em que estava foi assaltado e ela, que estava dormindo e acordou durante a ação dos marginais, teve uma reação que lhe rendeu diversas coronhadas na cabeça: simplesmente, se assustou. Alguns ossos de seu rosto estão quebrados, há um coágulo na cabeça e ela precisa ser operada. 

    É assim, todo dia é assim. Nossas vidas estão valendo cada dia menos e não sabemos aonde vamos parar. Precisa roubar e espancar? Não basta levar tudo? É preciso ver sangue, dor, grito, medo? Matam pessoas como matam insetos - e não podemos nos acostumar com isso. Eu não sei mais o que pensar, até porque, no momento em que escrevo essas palavras e minha prima sofre no hospital (Graças  a Deus está viva!), outras tantas pessoas estão sendo vítimas de algum tipo de violência país afora, fazendo com que meu coração fique pequeninho - e menos brasileiro.

    * A banalidade do mal é título de uma das obras da filósofa Hanna Arendt, nada tem ver com a nossa cidade nem retrata a época atual, fala do nazismo e toda a maldade cometida contra os judeus. Vale a leitura, porque violência sempre existiu e precisamos um dia, quem sabe, combatê-la.