• 25mar

    Olhe bem para cada caminho…
    Experimente-o quantas vezes achar necessário…
    Depois, pergunte-se:
    Esse caminho tem coração?
    Se não tiver não presta.
    Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma,
    Mas um tem coração e o outro não.

    Castaneda (1973), através das palavras do bruxo Don Juan

    Estava eu lendo sobre Dinâmica de Grupos quando me deparei com este trecho que a-do-rei, mas o que me impressionou mesmo foi saber pouco, ou quase nada, de Castaneda. Fui ao google, claro. E descobri que há suspeitas de que ele nasceu no Brasil, olha como são as coisas…um brasileiro influenciou os hippies. Essa vida é mesmo surpreendente. Depois que acabar de ler o tanto de coisa que tenho lido - desde revistas espíritas a livros de filosofia - eu vou querer saber qual é a desse Don Juan (que linguajar é esse, meu pai?!). Tenho que ir a um sebo urgente! Sei que hoje em dia muita gente não se envergonha de nada, mas eu, me envergonho até de não ter lido de tudo - mesmo sabendo que ler tudo é mesmo impossível. Cada um com seu cada qual, não é mesno?

  • 19mar

    Lemos todos os dias que o Rio de Janeiro continua lindo, mas está cada dia mais violento. É assalto, é sequestro relâmpago, é estrupo, é tiroteiro. Aliás, percebemos que a crueldade dos crimes aumentam dia após dia, é uma realidade. Bata pegarmos estatísticas, assisirtimos tv ou mesmo conversarmos com as pessoas - todo mundo tem uma história trágica para contar. E eu, infelizmente, também sou hoje uma dessas pessoas. 

    No momento em que escrevo essas palavras uma prima encontra-se no hospital. Mais uma vítima da violência. Ao voltar da faculdade, o ônibus em que estava foi assaltado e ela, que estava dormindo e acordou durante a ação dos marginais, teve uma reação que lhe rendeu diversas coronhadas na cabeça: simplesmente, se assustou. Alguns ossos de seu rosto estão quebrados, há um coágulo na cabeça e ela precisa ser operada. 

    É assim, todo dia é assim. Nossas vidas estão valendo cada dia menos e não sabemos aonde vamos parar. Precisa roubar e espancar? Não basta levar tudo? É preciso ver sangue, dor, grito, medo? Matam pessoas como matam insetos - e não podemos nos acostumar com isso. Eu não sei mais o que pensar, até porque, no momento em que escrevo essas palavras e minha prima sofre no hospital (Graças  a Deus está viva!), outras tantas pessoas estão sendo vítimas de algum tipo de violência país afora, fazendo com que meu coração fique pequeninho - e menos brasileiro.

    * A banalidade do mal é título de uma das obras da filósofa Hanna Arendt, nada tem ver com a nossa cidade nem retrata a época atual, fala do nazismo e toda a maldade cometida contra os judeus. Vale a leitura, porque violência sempre existiu e precisamos um dia, quem sabe, combatê-la.

  • 17mar

    Acabei de chegar de uma colação de grau. A alegria dos formandos é contagiante, da platéia insandecida também - coisa bem diferente da minha, toda séria, formal, sem apito ou faixas - mas essa frustação eu conto outra hora, frustação essa que me entusiasma a fazer outra graduação, aliás. Voltemos a colação de hoje. Que não era minha. Um grande amigo-afilhado de casamento-fotógrafo das burraldas, se formou. E estou aqui radiante. É tão bom querer e conseguir. Ter uma meta e alcançar. Confraternizar, comemorar, festejar. Ah, eu acho. E acho mais: acho que todo dia, se a gente parar para olhar, e ver, vai se dar conta de que têm muitas boas razões para festejar, comemorar, confraternizar. Inclusive, a alegria dos outros.

    Parabéns, Vinícius! (Mesmo sabendo que ele nem lê esse blog!)

  • 15mar

    Minha mãe perguntou o que eu faria com um caderno. Ao responder, pura e simplesmente que era “para escrever”, ainda fui tachada de grossa. O que se faz com um caderno, afinal? Mas eu compreendo a minha mãe. Numa época em que tudo a gente faz por computador e que redigir, de próprio punho, é quase extinto, o que fazer com aquelas folhas em branco? Pois bem, comprei o caderno.  Agora é lá, e não aqui, que escrevo que tudo que vem em mente. Risco, rabisco, rasgo folha. Sinto-me criança outra vez.  Uma criancinha bem da feliz!

    *****

    Sexta-feira 13. Inacreditalvelmente, no fim do expediente, um dilúvio. Muita chuva, raios e trovões. Eu, que trabalho do outro lado da baía e precisava atravessá-la para chegar em casa, vivi uma completa aventura. Além de ir correndo com uma amiga até a estação da barca e chegar lá em pânico, completamente molhada, ainda peguei uma barca que se “perdeu”. Sabe lá o que é ficar rodando em círculos dentro de uma barca, com uma mulher desesperada gritando, os passageiros andando de um lado  aoutro e raios caindo na água? Parecia filme de terror. Chegamos na cidade maravilhosa, Niterói, e aí começou nova aventura: não tinha ônibus. Não foi de todo ruim, mesmo que tenha sido péssimo ficar quase duas horas em pé esperando por uma condução. Encontrei duas amigas, uma comprou vários biscoitos e tornamos aquela fila menos indigesta. Às vezes, só às vezes, eu consigo manter o bom humor.

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    Para variar, estou lendo Hanna Arendt. Mas tem coisas que me impressionam mais do que filosofia e história: o ser humano. O que leva um homem a jogar a própria mulher de um carro em movimento, sequestar um avião e jogá-lo num shopping, com a própria filha dentro? Isso não é gente. Nem bicho. É uma coisa que nem sei explicar, mas que ainda vou estudar. Cada dia aumenta mais minha vontade de fazer outra faculdade: Psicologia. Mas isso vai ter que esperar, porque tem muito estudo na frente.

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    Deixa eu voltar para o caderno.