Por que até as pessoas boas traem?

Por Burraldas

Depois de entrevistar 2 mil americanos, a psicóloga Mira Kirshenbaum concluiu que 47% dos homens e 35% das mulheres estão propensos a ter um caso extraconjugal – tanta gente, segundo ela, não pode ser simplesmente mal-intencionada. ‘Na traição, procuramos o que nos falta’, diz a terapeuta. ‘Se soubermos achar isso no parceiro, não teremos vontade de trair.’ Mira acaba de lançar When Good People Have Affairs (Quando Pessoas Boas Traem) e fala aqui de como agir se o adultério acontecer

ENTREVISTA:

Em seu livro, você diz que ter um caso pode ser a melhor maneira de saber o que realmente queremos. Como?

A traição pode tirar a pessoa da inércia. Muitos acham seus casamentos sufocantes e, nesses casos, uma relação extraconjugal é a primeira oportunidade em muito tempo de explorar quem se é realmente e o que se busca.

A traição é positiva?

Ela é quase sempre destrutiva e dolorosa demais para valer a pena. Em alguns casos, porém, pode ajudar alguém a se dar conta de que está em um casamento ruim. Em outros, pode ajudar a perceber que o companheiro é, de fato, aquele com quem deve ficar. Ter um caso fora do casamento é uma maneira confusa e desajeitada de as pessoas encontrarem seus caminhos.

Você disse que, se alguém quiser reconstruir o casamento, não deve contar sobre a traição. As mentiras são necessárias para manter a relação?

Quanto menos mentira, melhor. Um casal deve ser franco, mas existem certos segredos que devem ser mantidos. Imagine que um homem fantasie com a Gisele Bündchen quando faz amor com sua mulher. Que bem ele fará a ela se contar esse segredo? Qual seria o objetivo de contar que você se envolveu com outra pessoa? O critério para se contar segredos é avaliar a dor que a revelação pode causar. A regra moral é não machucar ninguém. Se quiser reconstruir a relação, contar a traição só vai atrapalhar’.

Mas revelar a traição não poderia ser um sinal de mudança ou confiança?

Se você está terminando o seu casamento, não fará diferença. Mas se quiser reconstruir sua relação, contar a traição só vai atrapalhar. A pessoa não ficará tocada pelo seu gesto de revelar tudo. Ela ficará machucada pela traição, e você não precisa magoá-la. Apenas seja sincero consigo mesmo e aponte para qual caminho seguir. Nessas horas, é bom levar em conta que mais vale um divórcio que um casamento destrutivo.

Qual foi o objetivo de seu novo livro?

Há dois objetivos principais. O primeiro é o controle de danos. Quero mostrar que uma traição pode ser superada se o casal realmente quiser ficar junto. Quero também diminuir a dor nos corações mostrando que a traição não foi sinal de uma maldade. Muitas vezes é a forma que alguém encontrou para lidar com uma situação desfavorável. Claro, descoberta a traição, o parceiro terá de se mostrar empenhado em reconstruir os laços de confiança e deverá compreender que a dor e a raiva do companheiro não se dissipam facilmente. O segundo objetivo do livro é blindar a pessoa contra o remorso destrutivo, que a prende ao passado e a impede de seguir em frente. Após contabilizar os danos da traição, ela tem de buscar a reconstrução.

Quando uma pessoa boa trai, existe sempre um motivo nobre por trás, como autoconhecimento?

Não podemos ter a idéia de que pessoas boas fazem apenas coisas boas e pessoas ruins, apenas coisas ruins. Todos fazemos coisas ruins, e isso não significa que sejamos pessoas más. As pessoas boas traem quando não estão felizes no casamento. Elas estão confusas, oprimidas, e ter um caso é uma forma de trazer alívio àquela situação sufocante. É uma maneira confusa e desajeitada de as pessoas encontrarem seus caminhos.

E o que são pessoas boas?

São aquelas que tentam ao máximo fazer as coisas certas. Elas erram, mas se arrependem verdadeiramente quando fazem algo ruim. Com a minha experiência clínica, sei que são aquelas que estão realmente horrorizadas com a dor que causaram. Não tiveram um caso porque não ligam para o parceiro, mas porque estavam agoniadas. Já uma pessoa ruim não se importa com quem machucou. Só faz o que vem à cabeça, seja lá qual for o custo para os outros.

Você já traiu?

Nunca. Sou incapaz de machucar alguém. Não estou me gabando, é a maneira como meu sistema nervoso foi construído. Mas meu marido teve um caso e eu fiquei arrasada. Desperdicei muito tempo e me machuquei muito presa à idéia de que ele era uma pessoa ruim. Com o tempo, percebi que ele era o homem bom que sempre conheci. Eu também não estava isenta de culpa. Estava tão voltada para o meu trabalho que me afastei de meu marido e o fiz pensar que eu não ligava para ele. Teria nos ajudado muito se, em vez de brigar, tivéssemos nos esforçado para compreender o que o levou a me trair. Fizemos esse exercício de compreensão depois e estou muito orgulhosa.

E o que aconselharia a quem descobriu que o parceiro andou traindo?

Não faça ou diga nada em um primeiro momento. Acredito em amor verdadeiro e acho que uma relação amorosa pode ser recuperada. Por isso, ache alguém sensato para conversar a respeito. Pense: você quer essa pessoa de volta se existir alguma maneira de perdoar e reconstruir a confiança? Depois entenda por que seu parceiro teve um caso. O motivo ajudará a entender o que vocês dois devem fazer para melhorar o relacionamento.

Fonte: Revista Época via Criativa.



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13 março 2010 1.632 acessos 9 comentários

9 comentários »

  • Bruna disse:

    Essa falou, falou e não disse nada.

  • Mariah disse:

    é
    só pra vender livro mesmo
    idiota é quem comprar

  • Denise disse:

    Gente, vou escrever livro pra ganhar dinheiro, falar um monte de besteira e colocar um título de impacto.

  • Tamarindo disse:

    Acho que o mundo tem pessoas demais pra você querer um traidor de volta. É uma oportunidade de conhcer outra pessoa, de viver uma coisa nova que você vai jogar fora se quiser um traidor de voltar. Não é pelo ódio, mas pela sua vida que precisa de novas histórias. Sempre.

  • Kyrie Eleison disse:

    Porque as humanas atuais têm essa obsessão com “traição”?
    Monogamia, ainda mais nos primatas hominídeos, é tão antinatural como respirar no vácuo. Essa não é nossa história genética, e negar nossos impulsos naturais é uma bobagem que só encontra paralelo nas teorias que colocam o ser humano à parte do resto dos animais (coisas como “nós temos alma”, “nós temos a Razão”, etc…).
    A maior propensão feminina à fidelidade não é, de nenhum modo, uma certeza absoluta de fidelidade. Toda mulher sabe, no íntimo, que já desejou outro homem, apesar de estar apaixonada. Mas para a mulher o custo da aventura sexual é bem maior do que para o homem. Ela arca, gostemos ou não, com quase todo custo emocional e mais da metade do custo material da reprodução. E se perder o apoio de um companheiro nessa jornada, o peso se multiplicará.
    Para o homem, há um pequenino custo emocional e um razoável custo material. Mas, de um modo geral, se neglicenciar suas obrigações, dificilmente a prole se perde toda, e fazer mais filhos lhe custa pouco esforço, além de ser sempre um prazer…
    A verdade de tudo isto se evidencia na reação da maioria das mulheres ante uma “traição”: a maioria aponta logo a outra como vadia, não como uma sua igual, igualmente enganada pelo sedutor. Muito pelo contrário, a “vadia” é que seduziu o coitado, que não teve muito como resistir. Se isto não é explícito nos atos e palavras, é o substrato que sustenta o que se diz da outra.
    Talvez um pouco mais de percepção de que a outra é nada menos que uma mulher em busca da própria felicidade, e que o homem sempre verá uma oportunidade latente de sexo nas outras mulheres, o que absolutamente não quer dizer compromisso emocional (que aliás em geral nem é arranhado pelas aventuras do garanhão), talvez um pouco mais disso produzisse relações mais estáveis e felizes.

  • Antônima disse:

    Hummm…
    Essa autora é louca…
    Trai quem quer… Não se trata da pessoa ser boa ou ruim, mas apenas de saber se respeitar e respeitar o companheiro (a)…
    Essa coisa de instinto é idiotice… O homem tb sempre teve instinto para caçar seus alimentos, e nem por isso sentimos necessidade de sair caçando bicho por aí, toda vez q fazemos um churrasco.
    E amante nem sempre é vadia mesmo… Tem umas q são apenas burraldas desorientadas e ingênuas… Mas que tem mta vadia, que dá em cima de cara comprometido, isso tem… E se ele dá corda, é pq é vadio tb, huahuahua…
    Kiss

  • Tamarindo disse:

    As vezes a amante é a ingênua, as vezes ela gosta do seu por que é seu. Se ele não fosse seu ela nem olhava pra ele.

    Tipo Gene Simmons do kiss. Se ele não fosse o Gene Simmons do kiss será que o mulheril dos anos 70 teria pegado ele e aquele linguão dele?

    Ah, e tem mulher que gosta de ser a amante por que acha que um dia vai conseguir ficar com o cara. A mulher atual do meu pai foi amante dele na época em que ele era casado.

    Ele se separou há 15 anos e há 15 está com esta mulher… Em casas separadas, ele nunca oficializou a união. Ele nunca vai casar com ela, só quando for velho e precisar de uma enfermeira. Ah! Enquanto ele teve com ela, pegou váaarias outras. Talvez seja por isso que ele nunca vai casar com ela.

    Coitada. Alias, coitada não cada um tem o que merece.

  • A Insistente disse:

    Valhe-me Deus!!! Viver a vida acreditando que o melhor eh deixar ser traida e viver traindo vem de uma mente de quem nunca se apaixonou de verdade. Quem nunca traiu ou vai trair , ou foi traido ou esta sendo traido??? Eh dificil escapar do jeito que o mundo está hoje, mas existe sim a possibilidade de voce viver um relacionamento monogamico. Quando existe verdade e maturidade , nao existem riscos.

  • Keri disse:

    Eu penso que as pessoas que traem e são boas são 2% da população. Sim, porque o que vemos é que a maioria das pessoas que traem, são cafajestes (dentre eles homens e mulheres) e não estão nem ai para o sentimento dos outros. Infelizmente vivemos num mundo meio dissimulado. Os homens mentem, as mulheres mentem e me dá nojo só de pensar que tem gente que trai e tem a cara de pau de voltar pra casa, como se nada tivesse acontecido.
    Somos humanos e erramos, mas a maioria dos que traem, continuam a trair, mesmo depois de perdoados. Afinal, se a pessoa é mau caráter, isso não vai mudar, pode mudar de parceira (o) e vai continuar agindo do mesmo jeito.
    Acho patético também perdoar certos tipos de traições. Acho que existem pessoas que valem a pena (os bons – que são pouquíssimos) e erram e assumem e sentem remorso e aqueles que são canalhas, mentirosos e fingidos que se dizem arrependidos quando no fundo riem da cara dos traídos.
    Muito difícil perdoar uma traição. Eu acho que todos nós romantizamos muito a pessoa por quem nos apaixonamos e deixamos de ver o verdadeiro caráter. É duro, admitir que lá no fundo fizemos uma coisa errada e muitos insistem em ficar com pessoas que traem, achando que vão mudar. Não mudam!!!!!!!!

    Vale a máxima: Se você me engana uma vez, a culpa é sua. Se você me engana duas vezes a culpa é minha!
    Bjocas e luz a todas

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