Os homens têm medo das mulheres independentes?
Embora reafirmada por elas e presente no discurso masculino, a emancipação da mulher ainda assusta muitos homens
Não é uma regra, nem algo que os homens admitam facilmente. Mas a independência de uma mulher ainda os assusta. Rodrigo de Faria, 33 anos, responde de pronto à pergunta com um retumbante “não”. Porém, acaba dizendo que prefere parceiras menos emancipadas. “Não tenho medo, mas a relação com uma mulher muito ‘dona de si’ é mais complicada. Eu prefiro as frágeis, que precisam de mim. Que dependem, mesmo. Acho que muitas querem competir com o homem e perdem a feminilidade”, expõe.
O psicanalista Ernesto Duvidovich, diretor do Centro de Estudos Psicanalíticos, explica que o medo dos homens é relativo, mas existe. “A mulher independente é uma ‘parente próxima’ de uma mulher dominadora, que compete com o parceiro – e às vezes ganha mais do que ele, por exemplo. Por isso, é comum encontrar homens que se sentem diminuídos diante delas”.
Financeiramente, Hamilton de Paula, 38 anos, acha que a mulher tem que ser independente, mas isso não pode valer para tudo. “O homem quer se sentir necessário na vida dela. Acredito que isso faz parte de um relacionamento sadio: o homem proteger, manter a segurança familiar, ser um pilar importante e não mais um membro. Ela, por sua vez, tem que assumir o papel de mãe, que é insubstituível.”
Mas, hoje, é comum a mulher assumir outro papel. “Um século atrás, a mulher era completamente dependente. Hoje, muitas são chefes de família. Essa mudança, que ocorreu com o movimento feminista, também atrapalhou as relações”, diz Ernesto, que explica que, apesar disso, não significa que a emancipação feminina seja um fenômeno negativo. “É uma profunda melhora comparada à escravidão anterior, mas gera novos conflitos. O homem não tem mais a posição de antes e isso assusta”.
Coisa do passado
A escritora Stella Florence, autora especialista em relacionamentos – que lançou recentemente “32 – 32 anos, 32 homens, 32 tatuagens” (Ed. Rocco, 2009) –, não considera compreensível um homem sentir esse tipo de receio. “Acho que apenas os homens inseguros têm medo de mulheres independentes – os homens que confiam no seu taco nem se abalam”, diz ela, que ainda desafia: “a questão é: vale a pena se abalar por alguém que não confia no próprio taco?”
José Carlos de Almeida, 29 anos, afirma com veemência que, para ele, esse receio não existe. “Definitivamente, não. Um relacionamento precisa ser baseado em uma parceria. É coisa do passado dizer que a mulher precisa depender do homem para que ele se sinta necessário. Acho que o problema que a maioria tem, hoje em dia, é precisar de mais argumentos do que antes para manter uma mulher em casa”.
E é verdade: no passado, bastava ser responsável pelo sustento da família. E só. “Agora, sim, tem que manter aceso o sentimento, o respeito, a parceria”, lista José Carlos, que não reclama disso e diz gostar das independentes, o que para ele é até um atrativo sexual extra. O psicanalista Ernesto confirma. “As fantasias sexuais são singulares. E tem homens que se sentem atraídos pelas mulheres independentes”.
Mesmo assim, no geral, ainda há a dificuldade de aceitar a emancipação feminina. “Esse fenômeno está produzindo transformações enormes. E vai ter mais. Isso está intimamente vinculado aos fins de casamentos”, diz Ernesto. “As mudanças ocorrem, inclusive, em relação ao modo como se encara a sexualidade – hoje é normal a mulher ter muitos parceiros, não tendo que se submeter mais a um só homem para a vida inteira”.
Nascidos para cuidar
O psicoterapeuta Oswaldo Rodrigues Junior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, explica que os homens normalmente são socialmente criados, nas duas primeiras décadas de vida, para ser um “cuidador”, alguém que vai encontrar uma mulher que precisará dele e será submissa. “Assim, a maioria dos homens espera uma mulher que não seja superior. Mesmo numa época em que o discurso de igualdade está incorporado ao cotidiano masculino, eles só sabem relacionar-se com mulheres que fiquem um degrau abaixo”.
A mulher independente financeira e socialmente trará receios para o homem, que sente que ela não precisa dele para cuidá-la. “Ela coloca em dúvida a capacidade masculina de cuidar da mulher”, diz Oswaldo, que alerta ainda para o outro lado da moeda: “Mas há muitas mulheres independentes que não suportam um homem que não as cuide, exigindo um padrão mais alto que o que elas alcançaram”.
E, ainda, há os homens que gostam apenas do lado bom da independência financeira: quer que a mulher trabalhe, ajude nas despesas, mas se recusa a compartilhar afazeres domésticos, por exemplo. “É conflituoso”, diz Ernesto. “Isso coloca a mulher numa posição complicada. Por um lado, ele quer uma coisa, por outro, quer outra. A mulher tem a chamada dupla jornada”.
O especialista encerra lembrando uma questão que ainda não dá para responder, e arrisca um palpite: “As transformações com o avanço da mulher ainda não acabaram, mas estão acontecendo rapidamente. É difícil prever como serão as relações e o que vai acontecer no futuro, mas é provável que elas sejam cada vez mais independentes, as pessoas morem cada vez mais sozinhas e abram mão dos filhos”.
Fonte: Vladimir Maluf – IG.
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Ô vida dura… Se a sujeita não trabalha, é encostada. Se trabalha, é porque não precisa do traste. Se não estuda, é burra; se estuda é nerd e chata. Se não se cuida, é desleixada; se se cuida, é fútil. Ser mulher é #$%&!!!!
Eu adorei o texto e ainda acrescento algo: enquanto as mulheres hoje já vivem uma realidade completamente diferente, não se conformam mais com a vidinha que os homens permitiam que levassem, desejam coisas novas etc, eles continuam, em sua grande maioria, ainda querendo da mulher o mesmo: que seja mãe, boa dona de casa, ache que ele é o melhor amante do mundo, não deseje mais do que ele oferece, ou seja, eles querem o mesmo feijão com arroz. As mulheres não mais. Nós evoluímos muito e queremos coisas novas, queremos sempre mais, porém eles continuam querendo a velha Amélia, porque para muitos deles essa ainda é a mulher de verdade.
Quer dizer que cuidar é sinônimo de ter mais dinheiro?
Eu tenho outro ponto de vista: alguns homens quererm muilheres com menos dinheiro para poder sentir que ainda dominam a casa e consequentemente, quem está dentro dela.
Conheço uma pessoa que tem uma namorada, e não deixa ela pagar abasolutamente nada. Ele paga tudo. Agora na hora de mandar, imagine o que acontece? Ele manda ela até a calar a boca, a fazer o que ele mandar.
Estar sob a “jurisdição masculina” atraves do dinheiro é uma porcaira por que de um lado, você tem o homen que paga as coisas e te da presente, do outro ele quer uma contrapartida… Nem sempre essa contrapartida é respeituosa… Na maioria das vezes, é uma vantagem que ele tira em cima da mulher.
Um homen que tem menos dinheiro que uma mulher mandaria menos, saca?
É bobagem esse negócio que mulher independente financeiramente não rpecisa de ninguem que cuide dela. No fim do dia, agente quer um colo por causa daquele desaforo que o chefe nos dirigiu, alguem pra fazer uma comidinha…
“Mas há muitas mulheres independentes que não suportam um homem que não as cuide, exigindo um padrão mais alto que o que elas alcançaram.”
conheço umas 3 ou 4 assim. apesar de toda essa “evolução” que a comentarista acima falou, essa mulher redunda sendo tão machista quanto o cara que quer uma mulher dependente.
sinceramente, segue tudo no 0 a 0.
Sou uma mulher independente, não consigo ser diferente só para agradar um homem.
A maioria dos homens negam, mas tem medo sim de mulher independente.
Eles precisam se sentir endeusados e super necessários e a melhor forma de conseguir isso
é ter uma parceira que ñ seja auto-suficiente.
Eu vou na linha da Arina: Antigamente, a combinação homem dominador + mulher submissa funcionava perfeitamente. Arrisco dizer que as mulheres de então eram até felizes desse jeito, pois foram condicionadas a acreditar que felicidade era ter uma família completa. Mas muitas atrocidades aconteciam, do tipo: a mulher votar em quem o marido votasse.
Já as mulheres da minha geração (eu estou chegando nos 40) são beeeeem diferentes das suas mães. E os homens da mesma geração são muito parecidos com os seus pais. A gente pegou a “transição”, por isso essa polêmica toda.
Mas eu acho que a independência que o texto cita não é só financeira, não. Passa também por saber se impor e resolver seus próprios problemas, sem precisar chamar o homem pra tudo. Nem sei se é ganhar mais, mas sim ganhar o próprio dinheiro, ter a própria carreira e por aí vai.
Por outro lado, algumas mulheres assumem uma postura de “não preciso de você” que acaba afastando e magoando o parceiro. Pôxa, quem nesse mundo consegue resolver tudo sozinha, sem depender nadica de nada de outra pessoa? E eles também, não precisam da gente?
(Falei demais)
Há mulheres q, mesmo sem suce$$o profissional, não querem ser cuidadas.
E tem aquelas q, mesmo com muito suce$$o, ainda fazem questão de um mimo.
Influência a questão do dinheiro, até porque homem não gosta de ganhar menos, mas, na verdade, a questão não é só financeira, eles querem cuidar e ser úteis, então: coloque seu namorado para carregar a bolsa pesada, saia correndo quando ver uma barata, peça ajuda para abrir coisas…
Tenha essas atitudes tipicamente femininas, que não vão te deixar menos poderosa, mas que podem te deixar muitíssimo mais fofa
Afinal, ele é homem, mas vc, mesmo com a carteira cheia, continua sendo mulher
Taí,Victória.E se o dinheiro se torna sinônimo de sucesso a coisa se complica mais. Já me relacionei com mulheres de mais $$ que eu e,tirando uma única exceção,todas acabaram implicando por não ligar pra grana tanto quanto elas.Algumas chegaram mesmo a tentar me controlar com $$.Não ficaria surprêso se alguma dessas criaturas viesse aqui me chamar de cafa vagabundo.Com gente assim só pé na bunda!
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