Convivência é uma merda (e outras coisas grotescas)
Por Antania • Oct 30th, 2007 • Seção: Antânia, As BurricesEu não posso dizer que a cigana me enganou. Nosso namoro foi de convivência tão intensa que eu já conhecia quase todos os seus defeitos. Desde os mais irritantes – como seu jeitinho grosso de não me deixar terminar de falar –, passando pelos que mais magoam – como sua falta de sensibilidade expressa na célebre frase “porra, dá pra parar de chorar?” –, até os mais sórdidos – como sua total espontaneidade para arrotar ou cutucar o nariz na minha presença (e Deus sabe como eu estou sendo HIPER BACANA de citar apenas isso).Mas a verdade é que durante o namoro a gente faz o possível e o impossível para ignorar os defeitos, se agarrando às qualidade. Mesmo quando uma situação os coloca em evidência de tal maneira que até o Stevie Wonder perceberia (muitas vezes através do olfato… éca…), nós insistimos em desviar o olhar para o lado bom do sujeito (que nem sempre é grande o bastante para compor um “lado”. Muitas vezes está mais para uma fina fatia).
E nada se compara a convivência que o casamento gera, tendo como subproduto uma intimidade intensa (o que de um modo geral é bem bacana, mas não sejamos fundamentalistas! Há certos recantos de nossa personalidade – e fisiologia – que não devem ser compartilhados NUNCA!). Isso tudo funciona como uma enorme lente de aumento, e com o tempo tudo aquilo que no início era ligeiramente desconfortável, acaba se tornando algo IN-SU-POR-TÁ-VEL*. Em outras palavras: aquela melequinha acaba virando uma verdadeira bolha assassina.
Em geral, a gente pode reclamar o quanto quiser que a meleca continuará fazendo parte da relação (sinto informar). E se você insiste em reclamar sistematicamente de tudo o que te irrita, ainda vai ter que conviver com a fama de chata pra car*lh*. Por isso é importante escolher quais batalhas valem a pena e fazer vista grossa pro resto (aliás, a da meleca eu acho super legítima. E prometo que é a última vez que falo em meleca).
Dependendo do grau grotescológico e do poder de irritabilidade, minha sugestão é aquela clássica: se não pode vencê-lo, junte-se a ele (arrotar, por exemplo, pode ser uma experiência interessantíssima!).
Fato é que o ser humano é um saco cheio de defeitos amarrado com um fino e cintilante cordão de qualidades (e a convivência é a criança curiosa que vai lá e puxa o laço). Nós, mulheres, somos mais fresquinhas e higiênicas, mas com certeza temos uma série de hábitos que irritam e até enojam nossos amados meninos arrotadores. Então no final fica elas por elas.
Só não entendo o que tem demais aquela singela calcinha pendurada no box…
* A frase “tudo que é ligeiramente desconfortável, com o tempo se torna insuportável” é do personagem Vani do filme “Os Normais”.
Antânia
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Tecnicamente uma calcinha no box nunca me incomodou. Mas todas as minhas ex aprenderam a arrotar! Garanto!!!
Confesso que também não entendo o pavor à calcinha do box, porque perto de tantas coisas grotescas, nojentas e descuidadas que eles fazem, isso não é nem digno de nota. =/