Infidelidade virtual – uma discussão científica
Suponhamos a seguinte situação:
Você está educadamente usando o computador de seu namorado e de repente escorrega pra pasta “Meus documentos”. Uma coisa leva a outra e você acaba achando lá nos confins do Drive C uma pasta de “contatos” com alguns telefones. Do tio dele (ok). Da tia (beleza). Da Cacau (a vizinha pirralha… deixa passar…). Da EX (porra… já tá ficando chato…). E de uma tal Karina (que não consta no seu banco de dados) junto com um endereço de sala de bate-papo cujo tema seria precisamente SEXO.
E agora, Mister M??? O que fazer???
Cientistas de Massachussets comprovaram que, invariavelmente, a primeira reação da burralda é pensar em duas possíveis explicações. Uma incrivelmente ingênua e outra incrivelmente perturbadora.
A ingênua: Ele entrou num Chat de sexo porque estava morrendo de saudades de mim. Fez sexo virtual com essa mulesinha pensando em mim… ela insistiu em dar o telefone… ele acabou anotando mas never ever pensou em realmente ligar.
A perturbadora: Ele entrou num Chat de sexo, fez sexo virtual, pegou o telefone da galinha, ligou, transou com ela de verdade e quando chegou em casa disse que chegou tarde porque estava trabalhando e você acreditou porque além de ser burralda, sabe que ele é um rapaz trabalhador.
Agora, a pergunta que não quer calar: Como é que a gente resolve essa pendenga???
Se você perguntar a ele, é lóoooogico que você vai ouvir a explicação incrivelmente ingênua. Se não perguntar, vez por outra, a hipótese incrivelmente perturbadora irá te assombrar. Isso tudo sem contar que você obteve esta informação da piranha do Chat de forma praticamente ilícita, uma vez que estava xeretando os documentos dele (tô falando dos arquivos do computador!).
Na verdade, a única coisa certa é que ele anotou o telefone de uma mulher, e tecnicamente, pegar o telefone não é infidelidade (infidelidade seria pegar outras coisas). O que incomoda é saber com qual intenção ele fez isso. O ato de pegar o telefone produz uma possibilidade de traição, que pode ou não se concretizar. Portanto, independente de a melódia ter se dado via Internet, é um caso de infidelidade virtual, porque (vamos dar o benefício da dúvida) a princípio, nada efetivamente aconteceu.
Um exemplo de situação semelhante é quando tem um cara gato pra caramba te dando mole no trabalho, por exemplo. Você não alimenta, mas também não corta o barato de vez. E como nada realmente aconteceu entre vocês, a “infidelidade” também é virtual, porque fica a possibilidade de um dia você mudar de idéia e passar a chamar seu namorado carinhosamente de Chifronésio.
E no final das contas… infidelidade virtual conta ou não??
Isso deve depender do grau de confiança, de segurança e das regras do jogo que foram estabelecidas no relacionamento.
Mas, puta que pariu, incomoda viu…
Antânia
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